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PARALISAÇÃO

02 Junho 2018 07:00:00

A volta de um regime de governo autoritário seria uma grave perda na imagem do país

Elton Zuquelo


(Foto: Kalyane Alves) /


Com a paralisação dos caminhoneiros, tomou-se conhecimento, com maior profundidade, da importância desse setor de transportes para a vida dos brasileiros. Por adotarmos o sistema rodoviário

de transporte, a paralisação dos transportadores acarreta uma reação em cadeia de desabastecimento, com graves consequências para o País. Com a falta de combustíveis e estando os veículos de carga impedidos de deslocamento, vão escasseando.

Já se falou neste espaço acerca da justeza das reinvindicações da classe, tendo em vista que o preço do combustível onde chegou inviabiliza a atividade e o Brasil pode parar.

Demonstrada a força do movimento, que não deixa dúvidas do seu poder, e com as importantes conquistas alcançadas, chegou o momento de retorno às atividades, com a liberação completa das rodovias para o normal ir e vir de todos.

Em meio à crise política brasileira, que parece interminável, e diante desse movimento grevista que acarretou outras instabilidades sociais e econômicas, levantam-se vozes em prol da intervenção militar ou tomada do poder pelos militares, como ocorreu com o golpe de 1964.

Conquanto a necessidade de uma nova ordem política para o país, reformulando-se conceitos acerca da Administração Pública, representaria um grave retrocesso o retorno ao regime ditatorial militar, de direita ou de esquerda.

Não se pode esquecer o quanto custou a abertura e a conquista da democracia. Não há justificativas para dar-se esse passo de retorno, deixando-se de avançar para o amadurecimento da democracia sob a justificativa de que a classe política está desgastada.

Necessário cautela. O Brasil tem plenas condições de superar as crises, aprimorando-se gradativamente em suas instituições públicas, com a renovação do poder pelas eleições livres. A volta de um regime de governo autoritário seria uma grave perda na imagem do país perante a comunidade internacional, dando mostras da incapacidade da nação de conviver com a democracia, impondo nova quarentena de restrições das liberdades individuais para a reconquista da democracia.

Diante da insatisfação de muitos com o atual estado de coisas, preferível pensar-se que a democracia é o menos pior dos regimes e não abdicar das conquistas políticas e sociais do pós 1964.

Se hoje as pessoas têm a liberdade de expressar seu pensamento, unir-se em manifestações, reivindicar, poderá ocorrer que, em regime de exceção, sejam obrigadas a calar, curvando a cerviz, mesmo diante de graves insatisfações, como já ocorreu.


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