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Um dia você percebe

04 Janeiro 2018 00:05:00

Natália Sartor de Moraes


(Foto: Divulgação)


Você passa anos memorizando fórmulas matemáticas e leis da Física;

para um dia perceber que a vida não se explica de maneira exata, tampouco calculada.

Você gasta décadas em bancos de ensino, quilômetros de folhas escritas, milhões de caracteres e insanas milhares de provas para conseguir um diploma;

para um dia se dar conta de que a sabedoria nasce na simplicidade.

Você almeja popularidade, riqueza e influência;

para um dia compreender que os seus desejos se realizam, todos, simultaneamente, na estreiteza larga de um abraço.

Você se envaidece quando consegue afirmar algo com certeza incontestável;

para um dia entender que a verdade é uma miragem e que o território das dúvidas é o único confiável.

Você lamenta supostas derrotas e pensa ser inatingível por aparentes virtudes;

para um dia vislumbrar a beleza sutil do aperfeiçoamento esculpido na dor e a fragilidade de máscaras de giz.

Você trabalha vertiginosamente para alcançar faustuosa posição;

para um dia observar, fraco, apático e sozinho, um filme de cenas repetidas em preto e branco simbolizando o seu sucesso louvável... e vazio.

Você ri, sofre e vive;

para um dia perceber que riu menos do que precisava, sofreu mais do que deveria e viveu apenas quando:

 Não tentou tornar exatos os caminhos naturalmente incertos;

absorveu a plenitude da simplicidade;

valorizou a estreiteza larga de um abraço;

duvidou de certezas;

rememorou tropeços com lágrimas de saudade umedecendo um sorriso de dever cumprido;

agradeceu à maturidade por admitir a inconstância da trajetória.

E quando riu.

Riu até a barriga doer, os olhos lacrimejarem e você se sentir ridículo. Pois só quem admite a própria tolice aprende que passar por tolo é melhor do que ser infeliz.

Mas você também vive quando sofre.

Aquele sofrimento que amarga a boca e aperta o peito, faz verter angústia salgada e líquida dos olhos e embaça a vista também constrói o caráter, enrijece a vontade e costura o tecido do altruísmo.

 Porque se sabe, através de experiências edificadas no próprio coração, que a vida é um emaranhado de sonhos e desejos,

de pureza e dor,

de sorrisos e asperezas,

de carícias e decepções,

de beijos, abraços e indiferença.

De tudo e nada.

De apostas e riscos.

De aflições.

De regozijos.

E tudo isso, por quê?

E nada disso... por que não?

Porque sempre haverá uma pergunta e a falta de uma resposta.

Ou uma resposta enérgica e equivocada para uma pergunta séria e infundada.

Porque sempre haverá.

Sempre haverá um fim e um começo.

Uma verdade falsa e uma falsidade verdadeira.

Sempre haverá tudo.

Nunca haverá nada.

O Sempre e o Nunca se digladiando como por toda vida combateram, ou como jamais se enfrentaram.

Você ou Eu?

Sempre ou Nunca?

Sim ou Não?

E... por quê?


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