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Sofismas da vida

08 Fevereiro 2018 09:17:00

Natália Sartor de Moraes


(Foto: Divulgação) /


Tudo aquilo que na aparência encanta, afigura correção e em posterior análise capta-se o equívoco, nota-se a falsidade do objeto, o valor superestimado do objetivo: sofismas da vida.

Caminho hipoteticamente certo porque atraente, porque belo, porque afamado. Depois, a decepção, o sofisma desmascarado, argumentos especiosos não mais convencem: foi engano, e agora? Era tudo mentira: trajeto, expectativas, projeções e até o exterior começa a acusar máculas antes ocultas.

Mas já errou a direção, já se embrenhou na ilusão. Então é melhor seguir por uma estrada falsa ou não ter estrada para seguir?

Opções: 1) terminar de percorrer a trilha. Consequências: dor, arrependimento, culpa, amargura. 2) Ficar parado no meio do caminho. Consequências: angústia, tédio, vazio, ansiedade. Há quem diga que ainda se pode enxergar outro lugar, caminhar por outra fantasia. Eu lhe perguntaria como; quando o véu da frustração toldou a vista.

Acaba-se alimentando o sofisma. Deixa-se levar pela rua falsa e afronta-se a si mesmo. Mente-se para si. Porque para o mundo está bom. Para o mundo a estrada é boa. O mundo não quer saber como você se sente caminhando por ela. O mundo não se importa que você não mais ande, e sim se arraste. Para o mundo você está sendo sábio, e se para o mundo é assim, você continua, apesar de o seu interior estar gemendo, ainda que o coração se contorça em mágoa.

Você contra você... quem é?

Aí se arrasta. Mas se arrasta com elegância, porque, no pseudocaminho, sempre vai se deparar com aqueles que gostam de você pelo que você está e não pelo que você é.

E você vai se ausentando de você. Com o tempo, não mais sabe quem é. Tenta conversar com as pessoas, na vã esperança de que elas devolvam a essência que perdeu. A essência que a sarcástica rua te roubou. Mas elas não te devolvem. Elas te incentivam. Te incentivam a permanecer no erro. Porque elas só conhecem as vontades do mundo e não as suas.

Então se afasta também das pessoas. Chega o momento de se questionar: o que te distancia dos outros? Mais significativo: o que te distancia de você?

Vai para os livros. Usa o livro como oráculo. Abre em uma página aleatória, na sedenta intenção de encontrar a saída. Não encontra naquele dia. Nem no outro. No outro tampouco. Na semana seguinte também não. Nem no mês seguinte. Quando chega o novo ano, endoidecido, continua a utilizar livros como oráculos, mas nada.

No seu desgosto, sempre vai haver aquele da frase puída (mas que ele considera original): a resposta está dentro de você.

Só que dentro de você existe apenas confusão e descrença. Ansiedade e esgotamento. Dentro de você, o caos. Dentro de você, a falta de resposta.

As circunstâncias te empurram para quê? Amoldar-se ao mundo. Esquecer-se de si. Porque só então estará cumprindo o dever, ainda que isso lhe custe a felicidade.


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