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Pessoas

21 Fevereiro 2019 16:38:00


(Foto: Divulgação) 

Tanta gente! Durante a vida conhecemos tantas pessoas, almas conturbadas; espíritos extraviados; corpos, pela vaidade, desorientados. 

Conhecemos pessoas nobres, de uma nobreza que ultrapassa condição social, de uma nobreza que se purifica nas atitudes, na postura diante das adversidades, na posição assumida. 

Conhecemos, igualmente, pessoas que não assumem uma posição, aquelas que creem que podem fixar residência em cima do muro. 

Ocorre que o indeciso pesa sobre a parede trepidante que constrói sob si, pesa tanto que o muro se parte e o indeciso, esborrachado no chão, fraturado, vai ainda assim procurar outro muro onde possa se refugiar. O indeciso nunca se contenta em cair uma só vez. O indeciso não aprende com uma só queda. 

Conhecemos pessoas fortes, com a sinceridade de todo o seu caráter demonstrada no olhar. Pessoas que nos transpõem com os olhos. Pessoas tão verdadeiras que esquadrinham nossa alma, nossa mente, nossas indefinições e nossos temores, tudo, tudo com a ascendência de sua força. Essas pessoas são naturalmente mágicas, pois conseguem fazer com que não nos sintamos invadidos, mas sejamos gratos. Eternamente gratos por suas escavações emocionais. 

Conhecemos, também, pessoas fracas. Pessoas abaixo da linha da mediocridade. Pessoas que não sabem sustentar a palavra empenhada, a emoção demonstrada e o que é pior: desconhecem a importância de robustecer a própria personalidade, talvez porque não tenham nenhuma. Ou nenhuma digna de ser notabilizada. 

Conhecemos pessoas belas, lindas mesmo, transcendendo a beleza avaliada em um primeiro instante. Pessoas inteiras: que conseguem que seus sentimentos, suas palavras e suas atitudes estejam sempre em consonância, um refletido no outro. Pessoas que não são cópias de outras, mas ressonâncias de si em qualquer lugar, situação ou momento.  

Conhecemos (ah, e como conhecemos!) pessoas feias, horríveis de verdade, muito além da feiura facilmente percebida. Pessoas fragmentadas: sentem uma coisa, tentam pulverizar o sentimento, maquinando outra, e agem, ainda, de uma terceira forma. Um pedaço delas em cada parte, uma falsidade em cada canto. Pessoas-boneco, pessoas-fantoche, pessoas (por suas próprias mãos) divididas em milhões de pedaços, cada um agindo de um modo, nenhum deles prestando para o que quer que seja.  

Conhecemos pessoas cuja presença nos ilumina, nos embriaga com os mais deliciosos néctares, pessoas raras, pessoas brilhantes, pessoas que nos assustam (maravilhosamente) com a sua espontaneidade impoluta. Pessoas que rejuvenescem nossas almas por vezes envelhecidas. Pessoas-luz. 

Conhecemos, entretanto, pessoas-sombra, cuja presença nos atemoriza, sobretudo pelo cruel pesadelo de nos tornarmos iguais a elas: pessoas que mentem, que dissimulam, que poluem a própria consciência e o nosso coração com o lixo que entesouram através da obscuridade de suas ações. Pessoas contaminadas que querem nos infectar, pessoas arrasadas que ambicionam nos devastar, pessoas-nada que almejam nos diminuir.    

A vida, pródiga, nos agracia com infindáveis espécies de pessoas. Queira o bom-senso que saibamos identificar as pessoas-muro, para valorizar as pessoas-nobreza. 

Queira a sensibilidade que saibamos detectar as pessoas-fraqueza, para nos deixarmos influenciar pelas pessoas-potência.

 Queiram os nossos olhos espirituais que saibamos visualizar as pessoas-fragmento, para nos envolvermos com as pessoas-plenitude.

Queira a vontade de ser luz que saibamos intuir as pessoas-brilho, para que possamos, assim, e finalmente, lamentar pelas pessoas-escuridão, porém jamais nos transformarmos numa repetição delas.  

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