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O rompimento do casulo

31 Janeiro 2019 11:44:00


(Divulgação) /

O terceiro estágio de desenvolvimento da borboleta - de crisálida, no interior do casulo - representa um aprisionante imperativo. O corpo da futura borboleta se forma no casulo, portanto, este, apesar de necessária proteção é, concomitantemente, carcereiro temporário. 

A beleza, o frescor, o colorido, a delicadeza; tudo ali: dentro do casulo. Tudo ali: oculto pelo casulo. Tudo ali: preservado pelo casulo. Tudo guardado, meticulosamente mantido, até que esteja preparado para o mundo. Até que esteja seguro para expor sua fantástica unicidade. 

O casulo restringe, o casulo encarcera, o casulo é elemento de impositiva paciência. Entretanto, o casulo também cuida, barra invasores, parasitas. Substancializa armadura, escudo, parede. 

Diante de todas as paradoxais utilidades, o casulo existe para o momento cabal: o seu próprio rompimento. 

Somente com o rompimento nasce a borboleta. Antes disso: preparação. Antes disso: projeção. Antes disso: expectativa. Melodia aguardada, beleza idealizada. 

Na vida, rompemos o casulo quando abandonamos a casca dos padrões - os padrões nos protegem da crítica, mas são os belicosos carcereiros das nossas vontades. 

Rompemos o casulo quando temos a coragem de dizer "não" a tudo o que nos prende à rotina, ao temor da inovação, à covardia que leva a alma à inanição. 

Rompemos o casulo quando deixamos de fazer medrosas deduções e, destemidos, vivemos. Porque a altiva sabedoria de viver o que, de início, parece utopia, é na verdade sublime libertação; é provar para si mesmo que a vida real não precisa se limitar ao que é fácil, razoável, calculado. Que a vida real pode, sim, (e deve) ter o marcante aroma da emoção e o forte senso da verdade de um rompimento de casulo. 

Tenhamos a coragem. 

Acreditemos que o contentamento não é miragem. 

Rompamos os casulos 

Das nossas crisálidas. 

Não nos adaptemos a

Existências

Pálidas. 

 

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