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LIBERDADE

23 Novembro 2018 08:46:00


(FOTO: DIVULGAÇÃO)

Se me fosse dado pedir uma coisa à vida, eu pediria liberdade. Liberdade, para mim, é me sentir desvinculada de obrigações meramente obrigatórias, sem prazer ou sentido. Liberdade é trabalhar no que se ama, viver respirando o que se ama, sentir todos os dias o cheiro da plenitude e não da mecanicidade.  

Liberdade, para mim, é saber que o mundo pode ter seus padrões, não discuto, desde que me permita ter os meus e não me imponha uma uniformidade da qual sou incapaz de fazer parte.

Liberdade, para mim, é aceitar: as coisas mudam, as fases passam, embora se possa reconstruir o que foi bom, desde que se resigne que nunca mais será igual ao que já foi, mas pode ser melhor. E, assim, liberdade, para mim, é dar um novo significado para o passado, viver sem amarras o presente e projetar menos, cada vez menos, para o futuro.

Liberdade, para mim, é dizer - sem medo de parecer ridícula ou piegas -, que ama, que sente saudade, que precisa de colo, que está cansada, carente, infeliz, doente da rotina, envenenada pela indiferença.

Liberdade, para mim, é olhar nos olhos. Olhar nos olhos, entender com os olhos, silenciar, gritar, penetrar, descobrir; tudo, tudo com os olhos. Liberdade, para mim, é permitir que muitas coisas que de outra forma não poderiam ser resolvidas, se resolvam com um olhar.

Liberdade, para mim, é sorrir sem hesitação, mostrar a alma no cintilar do sorriso. Desnudar a alma. Ser livre é desnudar a alma para o outro, sem temor que ele encontre manchas, carências e dores ali. Sem temor de ser rejeitada ou excluída, porque você é você e não pode mudar essa realidade. Então, se o outro não aprovar, que vá procurar outra alma, outros olhos e outro sorriso que a ele se adéquem. Deixe você com os seus, se aceitando como é. Porque se aceitar como é significa a culminância da liberdade.

Liberdade, para mim, é rir o seu riso, andar do seu jeito, vestir o que te permita se sentir confortável, ir a lugares com os quais se identifique, conversar com gente conectada à sua sintonia, que comungue das suas ideias. Liberdade, para mim, é admirar o outro, sim, mas nunca querer ser igual a ele; porque, liberdade, para mim, é ser único e não ser cópia.

Liberdade, para mim, é poder abrir os lábios em um sorriso tolerante quando te criticam por ser diferente, por não seguir a manada, por ter conceitos próprios, edificados na análise e na observação e não no calor das generalizações. Porque liberdade, para mim, é dizer "dane-se" docemente. Dizer "dane-se" com a mesma doçura que você usa para dizer "te amo".

Liberdade, para mim, é mergulhar nas suas vontades sem medo de se afogar. Porque a liberdade, para mim, nunca estará emancipada da responsabilidade.

Liberdade, para mim, é chorar quando sente que necessita, rir sempre que quiser, e amar indistintamente. Porque a liberdade, para mim, tem duas irmãs: a intensidade e a ausência de preconceito.

Por fim, liberdade, para mim, é algo quase impossível de se alcançar nesse mundo. É preciso ter muita raça e determinação para provar instantes de seu sabor. Por isso peço liberdade à vida e não ao mundo.

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